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Implicações da transdisciplinaridade na educação

O conhecimento transdisciplinar emerge a partir de uma racionalidade aberta, dialógica, intuitiva e global.

Em 20 de Novembro de 2017 às 14h11 por espacovida

Inúmeras são as implicações da transdisciplinaridade, nutrida pela complexidade, nos ambientes educacionais, nas práticas pedagógicas, na pesquisa, no currículo e nas sistemáticas de avaliação. Enfim, na educação, em geral. Ela nos leva a ter que repensar nossas práticas pedagógicas, o currículo, o trabalho docente, enfim, grande parte daquilo que acontece nos ambientes de aprendizagem. E, neste repensar de novas práticas pedagógicas, trabalha-se, simultaneamente, com os operadores cognitivos da complexidade, com a lógica ternária e com o que acontece nos diferentes níveis de realidade e de percepção dos sujeitos aprendentes.

De cara, por exemplo, podemos afirmar que a transdisciplinaridade não combina com pensamento único e com práticas instrucionistas, já que valoriza o pensamento complexo e relacional, o pensamento articulado, auto-eco-organizador e emergente. Valoriza os processos críticos, criativos, dialógicos e recursivos, reconhecendo a autonomia relativa do sujeito aprendente e a responsabilidade individual e coletiva. Trabalha com o conceito de aprendizagem integrada, lembrando que os fenômenos cognitivos são inseparáveis dos fenômenos biofísicos. Daí a importância das estratégias pedagógicas transdisciplinares para a criação de novos cenários de aprendizagem ou de “momentos transdisciplinares”, como quer Juan M. Batalloso (2009).

Estratégias que favoreçam a pluralidade de espaços, de tempos, de linguagens, de recursos e novas formas de expressão, que valorizam a complementaridade dos processos, o desenvolvimento de análises acompanhadas de sínteses integradoras, a presença de uma racionalidade aberta que capta a complementaridade dos processos, as interconexões, em vez de apenas continuar trabalhando com instantâneos estáticos, com divergências conflitantes, com antagonismos paralisantes. Tais processos também existem, mas é preciso ampliar nossa compreensão e procurar combinar diferentes pontos de vista e opções aparentemente excludentes, opostas e contrárias, a partir do que acontece em outro nível de realidade e de percepção mais ampliado. O diálogo é sempre necessário e fundamental, pois ninguém é dono da verdade e toda e qualquer posição intransigente e prepotente não reflete a mestiçagem dos fenômenos e processos, nem a complexidade da realidade mutante e plural.

Assim, ao trabalhar com a lógica ternária, o conhecimento transdisciplinar emerge a partir de uma racionalidade aberta, dialógica, intuitiva e global, capaz de superar reducionismos culturais, maniqueísmos, fanatismos, dogmatismos, fundamentalismos e todos os demais “ismos” que emergem da unilateralidade das visões humanas.

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